sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Três Faces de Buddha

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O Budismo é como o Cristianismo, tem suas fases, suas faces.... parafraseando o Ocidental pro Oriente, poderiamos dizer:

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Budismo Theravada
vive no tempo do Antigo Testamento e seus textos.
Foco: o homem.
Lei de Talião: olho por olho.
Preso no tempo de Moisés, Era de Touro.
Suttas como os 10 Mandamentos: Leis absolutas,...
Palavra de ordem: Obedecer.
Meio: palavras, Leis e Dogmas.
Mensagem: obedecer Suttas.
Iluminação: completa, se tiver méritos de renascer homem, em próximas encarnações.
Diferenças: Fundamentalista e purista.
Córtex cerebral.


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Budismo Mahayana
vive no Novo Testamento, não que faça enorme diferença do Antigo, mas há evolução.
Menos fundamentalista e mais Ético.
Foco: o ser humano (homem e mulher)
Lei de Jesus: Amar ao próximo.
Relativo a Jesus, Era de Peixes.
palavra de ordem: Compaixão.
Meio: Meditação passiva.
Mensagem: palavras e Mantras.
Iluminação: Buddhas (homens) e Taras (mulheres) se tiver acumulação de méritos em incontáveis vidas.
Diferenças: sincretismo de simbolos religiosos indianos, japoneses, tibetanos...
Neo-Córtex.

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Budismo Zen
é atual, se reporta raramente aos textos antigos, prefere a Atenção Plena do Aqui-Agora.
Filosofia Contemporânea.
Foco: o Todo.
Era de Aquario.
Palavra de ordem: Consciente.
Relativo a você.
Meio: Meditação passiva (Zazen) e ativa (cerimônia do chá, por ex.).
Mensagem: o silêncio.
Diferenças: Koan... Satori imediato.
Iluminação: aqui-agora... todos, tudo se ilumina.
Pituitária-pineal, terceiro olho.
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Na minha visão, basicamente são estes os tres Budismos.

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mudo
mudo
o mundo
.... Zen
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sábado, 12 de setembro de 2009

A mulher no Budismo Tântrico

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Sahara foi o fundador do Tantra Budista.
Ele nasceu em Vidarbha, em Maharashtra, perto de Puna.
Era um bramane muito instruido, nascido como seu pai, na corte do Rei.
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Ele era considerado por todos como o mais instruido dos quatro irmãos e que iria substituir o pai como conselheiro do Rei, mas em seu intimo queria abandonar tudo e se tornar um Sanniasyn, um buscador espiritual.
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Ele desistiu de casar com a princesa e se tornou dicipulo de Sri Kirti da linhagem de Buda Gautama.
Gautama > o filho Rahul > Sri Kirti.
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O Rei ficou chocado, pois ele não se tornou um buscador Bramanê, mas um Budista!
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As primeiras palavras de Sri Kirti a ele foram:
- Esqueça os textos sagrados, os suttas, os Vedas e toda essa tolice!
Pra Sahara foi extremamente dificil!
Foi a segunda grande renúncia: as palavras sagradas!
É facil renunciar ao sexo, à riquezas, à posição... mas ao conhecimento?
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Anos se passaram e Sahara abandonou tudo, ficando apenas um grande meditador.
Pessoas vinham de longe apenas para sentir essa energia silenciosa que emanava.
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Sri Kirti o colocou no Caminho, mas o mestre seria uma mulher.
Sahara em profunda meditação teve a visão de que uma mulher no mercado seria sua grande mestre!
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Profundo, pois é uma mulher e no mercado, em plena vida acontecendo.
Tântrico, não?
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Sahara levantou-se, agradeceu Sri Kirti por ter lhe aberto o caminho e limpado sua mente, mas que agora tinha que continuar com outro mestre. Sri sorriu e despediu-se.
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No mercado Sahara encontrou a mulher de sua visão, ela agachada, fazia uma flecha, e era da casta dos intocáveis... Bela e selvagem.



Uma linda mulher absorta em fazer uma flecha absolutamente reta.
Ela com um dos olhos fechado mirava um alvo invisível...
Sahara estremeceu e sentiu algo oculto ali, mas nada entendeu.



Perguntou a ela se trabalhava com arcos e flechas.
Ela deu uma grande risada selvagem e o chamou de estúpido... um tolo bramane que desfilava como budista, mas que nada tinha mudado....
Ele ficou transtornado.
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E ela continuou:
- Buda só se atinge por ação, não por palavras, livros ou meditação.
... Venha, me siga.

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E ele foi atrás dela.


Pela primeira vez, ao andar atrás da fazedora de flechas, vendo a determinação dela, entendeu O Caminho do Meio: não era mover-se como pendulo, mas ser focado como a flecha.

. A beleza dessa mulher não era só deste mundo, mas vinha de sua absorção na ação, da atenção plena, de estar no meio, equilibrada.



Eles mudaram para um terreno de cremação e passaram a viver juntos.
Vida no meio dos mortos.

. Eles tinham um amor de corpo e um de alma, de mestre dicípulo.
E ela lhe ensinou o Tantra.
E ele também se iluminou.


E através do êxtase, da iluminação e da transformação,
Sahara ("aquele que lançou a flecha")
escreveu suas três canções:
A Canção do Povo
A Canção da Rainha
A Canção Régia....


by Betto Enso ... Setembro 09
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Amazake


Há muitos e muitos anos, um monge extremamente mesquinho e seu aprendiz moravam em um templo da montanha.

Naquela época, era comum o povo da região levar comida e bebida ao templo para fazer oferenda ao Buda e também para oferecer as almas de familiares falecidos.
Assim que terminava o culto noturno, as oferendas eram retiradas do altar e degustadas pelo monge.
Ao aprendiz ele não dava sequer um pedaço de doce e comia gulosamente tudo sozinho.
O monge costumava dizer que Buda comia pouco e vivia meditando de barriga vazia, portanto os aprendizes deveriam fazer a dieta de arroz e chá.

Certa ocasião, uma família de fabricantes de sake trouxe como oferenda um garrafão de amazake.
O monge deliciou-se provando alguns goles e disse ao aprendiz:– Isto é o amazake, um sake doce, porém há um detalhe: apesar de doce, é um veneno para as crianças. Se uma criança beber, é morte certa. Portanto, tome cuidado para não beber por engano.

No dia seguinte, o monge saiu para fazer culto em memória de um antigo morador da vila no sopé da montanha. O acólito ficou tomando conta do templo, mas, como estava sozinho, não conseguia deixar de pensar no sake doce.“O monge disse que sake doce é um veneno mortal para crianças, mas deve ter dito isso para eu não beber. Ele quer beber tudo sozinho”, pensou.

Assim, o aprendiz ficou muito curioso e resolveu experimentar o tal amazake.
Tirou a bebida do armário, colocou um pouquinho na taça e provou.
– Nossa como é gostosa! Preciso experimentar mais.
Assim, foi tomando gole após gole, sem conseguir parar.
Logo o garrafão estava vazio e o aprendiz de monge satisfeito e com a barriga cheia.

– Acho que exagerei. Quando o monge chegar vai me dar uma surra. E agora o que vou fazer?
O garoto pensou, pensou e finalmente teve uma idéia brilhante. No templo, havia um tesouro chamado Kibi no Hotei. Era uma estatueta de Hotei, fabricado em porcelana de Imbeyaki.



O aprendiz tirou a estatueta da sala e levando ao jardim e atirou contra uma rocha.
Hotei quebrou em vários pedaços.
Então, o garoto sentou-se no corredor e aguardou a volta do monge.
Não tardou muito, ouviu os passos do monge chegando ao templo:
– Acólito, estou de volta! – disse o monge na porta do templo.
Como o aprendiz não veio recebê-lo na porta, como de costume, ele entrou.
Vendo o acólito sentado no corredor e chorando, perguntando o que tinha acontecido.

– Quando o senhor saiu, eu estava limpando o salão e, sem querer, quebrei a estatueta de Hotei. Fiquei desesperado por quebrar uma relíquia deste templo e concluí que eu não era digno de continuar vivo. Assim, para me matar, eu bebi todo amazake que o senhor disse que matava crianças. Eu bebi, bebi, e ainda não morri. Mas estou aqui angustiado esperando a morte chegar.

Quando o monge ouviu a história, reconheceu que o garoto era inteligente, astuto e muito criativo; um típico nativo do ano do Macaco.
Então, disse, conformado com sua derrota:
– Fique tranqüilo, você não vai morrer, porque a estatueta de Hotei morreu em seu lugar.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Haiku, Hai Kai...

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I - O Haikai é poema conciso, formado de 17 sílabas, ou melhor, sons, distribuídas em três versos (5-7-5), sem rima nem título e com o termo-de-estação do ano (kigô).
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II - O kigô é a palavra que representa uma das quatro estações, primavera, verão, outono e inverno; p. ex., IPÊ (flor de primavera), CALOR (fenômeno ambiental de verão), LIBÉLULA (inseto de outono) e FESTA JUNINA (evento de inverno).
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III - Cada estação do ano tem o próprio caráter, do ponto de vista da sensibilidade do poeta; p. ex., Primavera (alegria), Verão (vivacidade), Outono (melancolia) e inverno (tranqüilidade).
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IV - O Haikai é poema que expressa fielmente a sensibilidade do autor. Por isso,respeitar a simplicidade; evitar o "enfeite" de "termos poéticos";captar um instante em seu núcleo de eternidade, ou melhor, um momento de transitoriedade;evitar o raciocínio.
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V - A métrica ideal do Haikai é a seguinte: 5 sílabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro; mas não há exigência rigorosa, obedecida a regra de não ultrapassar 17 sílabas ao todo, e também não muito menos que isso. E a contagem das sílabas termina sempre na sílaba tônica da última palavra de cada verso.
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VI - O Haikai é poemeto popular; por isso usa-se palavras quotidianas e de fácil compreensão.
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VII - O dono do Haikai é o próprio autor; por isso, deve-se evitar imitação de qualquer forma, procurando sempre a verdade do espírito haicaísta, que exige consciência e realidade.
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VIII - O haicaísta atento capta a instantaneidade, qual apertar o botão da câmera.
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IX - O Haikai é considerado como uma espécie de diálogo entre autor e apreciador; por isso, não se deve explicar tudo por tudo. A emoção ou a sensação sentida pelo autor deve apenas sugerida, a fim de permitir ao leitor o re-acontecer dessa emoção, para que ele possa concluir, à sua maneira, o poema assim apresentado. Em outras palavras, o Haikai não deve ser um poema discursivo e acabado.
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X - O Haikai é um produto de imaginação emanada da sensibilidade do haicaísta; por isso, deve-se evitar expressões de causalidade, sentimentalismo vazio ou pieguice.
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http://www.kakinet.com/

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre a Língua Japonesa

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É curioso como existem fatores interessantes em estudar outras línguas.

Fazem mais de 2 anos que ando me aventurando no estudo de Japonês: o Nihongo.
Indiretamente já estou estudando a leitura de Chinês, que é a base Kanji, da escrita japonesa.

O ideograma (kanji) tem uma particularidade que me agrada: duas pessoas podem falar idiomas diferentes, mas podem escrever e ler um mesmo texto, sem necessitar conhecer a língua do outro. Algo como a música.

Uma frase em Japonês segue uma mistura curiosa, na qual vários “alfabetos”se organizam pra passar a idéia: sílabas em hiragana, outras em katakana, ideogramas kanjis (mais de 5.000!) que podem ter a leitura Kun ou On (japonesa ou chinesa), com hiragana por cima, por vezes numerais decimais e palavras ocidentais ou o romanji....é complicado.

Tabela de hiraganas e katakanas.


O fator que me chama a atenção na língua nipônica é a ordem gramatical.

Estamos acostumados a ter: Sujeito + Verbo + Predicado.

Em Nihongo isso sempre obedece uma ordem:
Predicado >>> Sujeito >>> Verbo.
Isso obriga que, num diálogo, você respeite a frase do outro.
Você necessitaque ele termine para que possa continuar o diálogo, pois sem o verbo (afirmativo, negativo, interrogativo...) não se sabe qual a argumentação do interlocutor.
Isso evita um comportamento irritante do ocidental: precipitar-se em julgar,interpretar, cortando o raciocínio alheio.
Nihongo: uma língua civilizada.

Outra questão, muito examinada pelos Filósofos da Escola de Kyoto, é o fato da frase japonesa prescindir de sujeito e não possuir desinência verbal para cada pronome pessoal (eu, tu, ele...), fato obrigatório na língua inglesa, por exemplo.

Nishida, Nishitami e Heidegger concluem que com isso o japonês está muito mais perto do Zen, do Nirvana, por não utilizar na sua construção mental e verbal o Ego.
O vazio essencial está à mão.
O peso emocional do Ego:
Eu escrevo o texto.
O Wei Wu Wei, o agir sem ação Zen:
Texto escrever.
O ego dilui-se com facilidade, percebe?

Algo que deixa um ocidental completamente perdido no idioma é o numeral.
Há uma forma numérica para cada coisa ou tipo de coisa... Para horas, pra pessoas, pra coisas compridas, pra coisas redondas... "Um" pode ser: Ichi, Itsu, Itotsu, hitotsu, hito, hi, i…

É um idioma curioso que me instiga a aprendê-lo.



Domo arigatou gozaimasu...
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sábado, 23 de maio de 2009

DO.... TAO.... o Caminho:

Tao, em pintura Sho-Do


Bun Bu Ryo Do
“a pena e a espada”


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http://www.youtube.com/watch?v=Y6UlSPT9dxw&eurl=http%3A%2F%2Fcaligrafiajaponesa%2Ewordpress%2Ecom%2F&feature=player_embedded


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