
É curioso como existem fatores interessantes em estudar outras línguas.
Fazem mais de 2 anos que ando me aventurando no estudo de Japonês: o Nihongo.
Indiretamente já estou estudando a leitura de Chinês, que é a base Kanji, da escrita japonesa.
O ideograma (kanji) tem uma particularidade que me agrada: duas pessoas podem falar idiomas diferentes, mas podem escrever e ler um mesmo texto, sem necessitar conhecer a língua do outro. Algo como a música.
Uma frase em Japonês segue uma mistura curiosa, na qual vários “alfabetos”se organizam pra passar a idéia: sílabas em hiragana, outras em katakana, ideogramas kanjis (mais de 5.000!) que podem ter a leitura Kun ou On (japonesa ou chinesa), com hiragana por cima, por vezes numerais decimais e palavras ocidentais ou o romanji....é complicado.
Tabela de hiraganas e katakanas.
O fator que me chama a atenção na língua nipônica é a ordem gramatical.
Estamos acostumados a ter: Sujeito + Verbo + Predicado.
Em Nihongo isso sempre obedece uma ordem:Predicado >>> Sujeito >>> Verbo.
Isso obriga que, num diálogo, você respeite a frase do outro.
Você necessitaque ele termine para que possa continuar o diálogo, pois sem o verbo (afirmativo, negativo, interrogativo...) não se sabe qual a argumentação do interlocutor.
Isso evita um comportamento irritante do ocidental: precipitar-se em julgar,interpretar, cortando o raciocínio alheio.
Nihongo: uma língua civilizada.
Outra questão, muito examinada pelos Filósofos da Escola de Kyoto, é o fato da frase japonesa prescindir de sujeito e não possuir desinência verbal para cada pronome pessoal (eu, tu, ele...), fato obrigatório na língua inglesa, por exemplo.
Nishida, Nishitami e Heidegger concluem que com isso o japonês está muito mais perto do Zen, do Nirvana, por não utilizar na sua construção mental e verbal o Ego.
O vazio essencial está à mão.
O peso emocional do Ego:
Eu escrevo o texto.
O Wei Wu Wei, o agir sem ação Zen:
Texto escrever.
O ego dilui-se com facilidade, percebe?
Algo que deixa um ocidental completamente perdido no idioma é o numeral.
Há uma forma numérica para cada coisa ou tipo de coisa... Para horas, pra pessoas, pra coisas compridas, pra coisas redondas... "Um" pode ser: Ichi, Itsu, Itotsu, hitotsu, hito, hi, i…
É um idioma curioso que me instiga a aprendê-lo.

Domo arigatou gozaimasu...
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