sábado, 12 de setembro de 2009

A mulher no Budismo Tântrico

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Sahara foi o fundador do Tantra Budista.
Ele nasceu em Vidarbha, em Maharashtra, perto de Puna.
Era um bramane muito instruido, nascido como seu pai, na corte do Rei.
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Ele era considerado por todos como o mais instruido dos quatro irmãos e que iria substituir o pai como conselheiro do Rei, mas em seu intimo queria abandonar tudo e se tornar um Sanniasyn, um buscador espiritual.
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Ele desistiu de casar com a princesa e se tornou dicipulo de Sri Kirti da linhagem de Buda Gautama.
Gautama > o filho Rahul > Sri Kirti.
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O Rei ficou chocado, pois ele não se tornou um buscador Bramanê, mas um Budista!
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As primeiras palavras de Sri Kirti a ele foram:
- Esqueça os textos sagrados, os suttas, os Vedas e toda essa tolice!
Pra Sahara foi extremamente dificil!
Foi a segunda grande renúncia: as palavras sagradas!
É facil renunciar ao sexo, à riquezas, à posição... mas ao conhecimento?
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Anos se passaram e Sahara abandonou tudo, ficando apenas um grande meditador.
Pessoas vinham de longe apenas para sentir essa energia silenciosa que emanava.
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Sri Kirti o colocou no Caminho, mas o mestre seria uma mulher.
Sahara em profunda meditação teve a visão de que uma mulher no mercado seria sua grande mestre!
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Profundo, pois é uma mulher e no mercado, em plena vida acontecendo.
Tântrico, não?
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Sahara levantou-se, agradeceu Sri Kirti por ter lhe aberto o caminho e limpado sua mente, mas que agora tinha que continuar com outro mestre. Sri sorriu e despediu-se.
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No mercado Sahara encontrou a mulher de sua visão, ela agachada, fazia uma flecha, e era da casta dos intocáveis... Bela e selvagem.



Uma linda mulher absorta em fazer uma flecha absolutamente reta.
Ela com um dos olhos fechado mirava um alvo invisível...
Sahara estremeceu e sentiu algo oculto ali, mas nada entendeu.



Perguntou a ela se trabalhava com arcos e flechas.
Ela deu uma grande risada selvagem e o chamou de estúpido... um tolo bramane que desfilava como budista, mas que nada tinha mudado....
Ele ficou transtornado.
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E ela continuou:
- Buda só se atinge por ação, não por palavras, livros ou meditação.
... Venha, me siga.

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E ele foi atrás dela.


Pela primeira vez, ao andar atrás da fazedora de flechas, vendo a determinação dela, entendeu O Caminho do Meio: não era mover-se como pendulo, mas ser focado como a flecha.

. A beleza dessa mulher não era só deste mundo, mas vinha de sua absorção na ação, da atenção plena, de estar no meio, equilibrada.



Eles mudaram para um terreno de cremação e passaram a viver juntos.
Vida no meio dos mortos.

. Eles tinham um amor de corpo e um de alma, de mestre dicípulo.
E ela lhe ensinou o Tantra.
E ele também se iluminou.


E através do êxtase, da iluminação e da transformação,
Sahara ("aquele que lançou a flecha")
escreveu suas três canções:
A Canção do Povo
A Canção da Rainha
A Canção Régia....


by Betto Enso ... Setembro 09
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